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17/01/2018 05:08:38 - Farroupilha / RS
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Atualizado em 22 de dezembro de 2017

Memorial Lidovino A. Fanton é inaugurado no Legislativo

Lidovino Antônio Fanton foi, em 1974, o primeiro deputado federal farroupilhense. Tendo grande participação na política do Estado e do País. Forte incentivador da emancipação de municípios, participou de mais de 40 criações de novas cidades. Desde 1995, a Casa Legislativa de Farroupilha leva seu nome.

Parte de sua história, a partir de hoje está exposta no Plenário da Câmara de Vereadores com documentos pessoais e fotos do ex-deputado. O trabalho contou com o apoio do historiador Vinicius Pigozzi, juntamente com o presidente Fabiano Piccoli, e de familiares do homenageado.

Lidovino faleceu em 1982 e não teve filhos. Seu velório ocorreu na Assembleia Legislativa, no qual exerceu o cargo de deputado estadual de 1962 a 1973. Seu corpo também foi velado na Câmara Municipal de Farroupilha, sendo encaminhado para o Cemitério Público Municipal.

Texto e Foto: Gabriel Venzon – MTE 18.804

Conheça a história de Lidovino Fanton com mais detalhes:

Lidovino Antônio Fanton nasceu em 16 de dezembro de 1920 na localidade de São Luiz, na época interior de Caxias do Sul, e atualmente pertencente à Farroupilha. Filho de um casal de agricultores, José Fanton e Vicença Paraboni, passou sua infância dedicado à agricultura e os estudos.

Com 16 anos, após terminar o primário na região, transferiu-se para Porto Alegre onde cursou o ginasial nos Colégios Anchieta e Júlio de Castilhos, concluindo em 1942. Com 22 anos ingressou na Faculdade de Direito da Universidade de Porto Alegre, hoje denominada de UFRGS.

Durante seus estudos, para manter-se na capital, trabalhou como ferroviário na Viação Férrea do RS, e nas Caixas de Aposentadorias e Pensões de Serviços de Mineração, e posteriormente, de Urbanos por Concessão. Em 1949, após graduar-se, retornou para Farroupilha para exercer a advocacia.

Ainda como estudante, em 1947, introduziu-se na militância política através da Ala Moça do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), chegando, na década de 50, a presidir o diretório municipal do Partido em Farroupilha. Em 1959, com a eleição de Leonel de Moura Brizola como Governador do RS, Lidovino foi nomeado como Diretor Geral do Departamento das Prefeituras Municipais na Secretaria Estadual do Interior e Justiça do RS, tornando-se um grande defensor das causas municipalistas e incentivando a emancipação de mais de 40 cidades na época.

Em 1962, concorreu pela segunda vez para deputado estadual, obtendo a suplência, exerceu o mandato substituindo Beno Orlando Burmanne e posteriormente Sereno Chaise. Com isso, Lidovino inicia sua carreira política junto a Assembleia Legislativa.

Após o movimento político de 1964, e a instauração do bipartidarismo, filiou-se no Movimento Democrático Brasileiro (MDB), onde se elegeu em 1966 e novamente em 1970, como deputado estadual. Neste ano, o parlamentar recebeu o “Prêmio Springer por um Rio Grande Maior”, outorga concedida ao deputado que mais se destacasse na Assembleia.

Em 1974, Lidovino elege-se como deputado federal, tornando-se o primeiro farroupilhense a ocupar um assento na Câmara Federal. Com atuação na Capital, auxiliou o presidente do MDB, Ulisses Guimarães a alavancar os ideais do partido através de uma legislação eleitoral esquecida pelos agentes políticos, cuja norma permitia o direito dos partidos de utilizarem a transmissão de rádio e televisão no tempo de uma hora por ano.

Com a extinção do bipartidarismo em 1979, participou ao lado de Leonel Brizola da fundação e regularização do Partido Democrático Trabalhista (PDT) em 1981.  Em 1982, como secretário-geral do Partido, implementou medidas para que o programa partidário fosse transmitido em cadeia nacional por rádios e televisões.

Ainda neste ano, após ser internado com uma crise depressiva, Lidovino Antônio Fanton faleceu no dia 12 de setembro. Seu corpo foi velado na Assembleia Legislativa do RS e na Câmara de Vereadores de Farroupilha.

Desde 1995, o Poder Legislativo de Farroupilha, através da Resolução 310 denominou seu plenário como “Casa Legislativa Dr. Lidovino Antônio Fanton”, permanecendo com esta nomenclatura até hoje.

Pesquisa realizada pelo historiador Vinícius Pigozzi